A franco-brasileira NetZero anunciou investimento entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões para instalar uma usina de produção de biochar em São Lourenço do Sul (RS). O projeto deve ser formalizado em janeiro, com recursos captados junto a investidores, fundos e um consórcio regional de arrozeiras e prefeituras.
A planta terá capacidade para processar cerca de 30 mil toneladas de casca de arroz por ano, gerando aproximadamente 10 mil toneladas anuais de biochar seco. A empresa afirma que o produto melhora a fertilidade do solo e pode elevar produtividade entre 14% e 26%, além de gerar créditos de carbono.
Capacidade Prevista de 30 Mil T/ano de Casca e 10 Mil T/ano de Biochar
A usina projetada pela NetZero terá capacidade para processar cerca de 30 mil toneladas de casca de arroz por ano. A estimativa da empresa é transformar esse volume em cerca de 10 mil toneladas anuais de biochar seco, após o processo de pirólise.
Em termos práticos, isso significa que aproximadamente um terço da massa inicial vira produto final estável e rico em carbono. Essa proporção depende do teor de umidade e da operação da planta, mas reflete eficiência aceitável para unidades industriais desse porte.
O rendimento esperado permite alimentar demandas locais e suprir parte de consumidores agrícolas, com possibilidade de ampliar produção caso a procura cresça.
Investimento Entre R$ 35 Milhões e R$ 40 Milhões com Assinatura Prevista em Janeiro
A NetZero projeta captar e formalizar o aporte entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões em meados de janeiro, segundo executivos. O montante cobrirá implantação da planta piloto, equipamentos de pirólise e infraestrutura logística.
A expectativa da empresa é iniciar o cronograma de implantação ainda em 2026 após a assinatura dos contratos. A captação envolverá fundos de investimento, investidores estratégicos e entidades do consórcio regional.
Se confirmada, a operação transforma o investimento em etapa-teste para uma possível expansão, reduzindo riscos com uma planta inicial menor que modelos de grande escala.

Região Concentra 70% Da Produção Nacional de Arroz e 2 Milhões T/ano de Casca Disponível
O Rio Grande do Sul responde por cerca de 70% da produção brasileira de arroz, com cerca de 7 milhões de toneladas por ano, segundo o IBGE. A casca representa entre 20% e 25% desse volume, o que equivale a cerca de 2 milhões de toneladas anuais de resíduo.
Essa abundância de matéria-prima torna o Estado atrativo para unidades que utilizam rejeitos agrícolas como insumo. Em outras palavras, há escala de oferta que reduz custos de coleta e logística, ponto crítico para projetos de biomassa.
Regiões como o entorno de Pelotas e a fronteira com a Argentina concentram alta disponibilidade, facilitando a formação de circuitos de fornecimento para a usina.
Parceria Prevista com ADB Alimentos, Josapar e Consórcio de Arrozeiras Locais
A proposta prevê que a planta seja propriedade de uma associação liderada por ADB Alimentos e Josapar, segundo o cofundador Pedro de Figueiredo. A intenção é articular um consórcio com empresas arrozeiras e prefeituras da região para assegurar matéria-prima e impacto social.
Até o momento, as companhias citadas não comentaram oficialmente, mas a NetZero afirma que parte da produção será destinada a parceiros fornecedores. Essa estrutura de copropriedade tende a reduzir riscos operacionais e garantir mercado inicial para o biochar.
Além de garantir abastecimento, o arranjo busca distribuir benefícios locais, como geração de empregos e renda para pequenos fornecedores de casca de arroz.

Aplicação Agrícola Pode Aumentar Produtividade Entre 14% E 26% Em Lavouras e Pastagens
A NetZero destaca que o biochar atua como condicionador de solo e pode elevar produtividade entre 14% e 26% em cultivos e pastagens. Esse ganho decorre da maior retenção de água, melhora da estrutura do solo e aumento da disponibilidade de nutrientes.
Em termos práticos, o biochar age como uma esponja porosa e complemento de matéria orgânica, similar a adicionar um “estoque” de carbono estável ao solo. Em outras palavras, ele melhora a eficiência do fertilizante e reduz perdas por lixiviação.
Produtores que adotam o produto podem reduzir custos de insumos a médio prazo e aumentar resiliência das lavouras frente a secas, embora resultados variem conforme tipo de solo e manejo.
Geração de Créditos de Carbono como Fonte Adicional de Receita
Além da venda direta como condicionador de solo, o projeto mira a geração de créditos de carbono. A estabilização de carbono no biochar pode ser quantificada e vendida no mercado voluntário e regulado, criando receita complementar.
Na prática, o processo de pirólise converte biomassa em carbono estável que permanece no solo por décadas. Isso transforma um resíduo agrícola em ativo ambiental, cuja retirada de CO2 da atmosfera pode ser certificada e comercializada.
Receitas com créditos tornam o projeto mais atraente para investidores, ao melhorar a previsão de retorno financeiro e descarbonizar cadeias produtivas regionais.
Impactos Locais: Emprego, Logística e Apoio Institucional Municipal
São Lourenço do Sul foi escolhida por proximidade com áreas produtoras de casca e apoio institucional local, segundo a NetZero. A prefeitura participou da articulação regional e demonstrou interesse em facilitar licenciamento e infraestrutura.
A implantação deve gerar empregos diretos e indiretos na construção e operação da planta, além de criar demanda por transporte e serviços locais. Para produtores, a venda da casca representa renda extra e redução de custos com manejo de resíduos.
O sucesso dependerá também da capacidade de articular logística eficiente e obter autorizações ambientais, itens que a gestão municipal informou estar disposta a apoiar.
Experiência Prévia em Minas, ES e Goiás e Plano de Expansão por Diferentes Rejeitos
A NetZero já opera em outros Estados, como Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás, produzindo biochar a partir de casca de café e bagaço de cana. A empresa usa essa experiência para ajustar tecnologia e modelos de negócios conforme a biomassa disponível regionalmente.
A estratégia é replicar a planta-piloto e diversificar matéria-prima conforme potencial local, o que reduz risco de dependência de um único insumo. Em outras palavras, a companhia quer um portfólio flexível de lixo agrícola convertido em valor.
Se a planta no RS tiver desempenho previsto, a NetZero pode ampliar sua rede e contribuir para economia circular no setor agroindustrial brasileiro.
Fonte: Globorural.globo




































