Previsões conservadoras apontam queda média de 4% na produtividade da soja em 2026 sobre a safra 2025, segundo levantamento do setor realizado nesta semana em Brasília. A análise, assinada por consultorias privadas e entidades agrícolas, considera variáveis climáticas, pressão de pragas e o aumento expressivo no custo dos fertilizantes.
O relatório projeta também elevação de 30% no custo médio dos fertilizantes até o início da safra 2026, pressionando margens operacionais e decisões de plantio em áreas tradicionais e em expansão. Produtores, tradings e cooperativas já ajustam estratégias de plantio, manejo e comercialização para mitigar perdas e aproveitar oportunidades regionais.
Região Sul Prevê Produtividade Média de 3,2 T/ha em 2026, Queda de 6% Ante 2025
Levantamento regional estima produtividade média de 3,2 toneladas por hectare no Sul para a safra 2026, ante 3,4 t/ha em 2025, o que representa queda de 6%. A menor produtividade é atribuída a variabilidade de chuvas no início do ciclo e ao ataque crescente de percevejos em áreas de verão.
Produtores do Paraná e do RS relatam necessidade de maior investimento em controle integrado de pragas e em sementes tolerantes, o que eleva os custos de produção por hectare. A expectativa é que parte da área seja direcionada para rotação com milho safrinha, reduzindo a intensidade de plantio direto da soja.
Impactos financeiros locais incluem necessidade de renegociação de capital de giro junto a cooperativas, enquanto negociações antecipadas de preço buscam compensar a redução esperada no rendimento. Consultorias recomendam monitoramento climático mensal para ajustar semeadura e tratamentos fitossanitários.
Centro-Oeste Mantém Média de 3,6 T/ha; Novas Áreas Ganham 250 Mil Hectares
O Centro-Oeste mantém produtividade estimada em 3,6 t/ha para 2026, estável em relação a 2025, apesar do avanço de fronteira agrícola de 250 mil hectares. A expansão concentra-se em áreas do sul de Mato Grosso e no leste do Mato Grosso do Sul, com solos de baixo custo de implantação.
A abertura de novas áreas exige investimentos iniciais em correção de solo e logística, elevando o custo por hectare, mas promete volume adicional de produção que pode atender à demanda de exportação. Empresas agrícolas avaliam o trade-off entre produtividade inicial menor e ganho de escala na comercialização.
Para operadores de mercado, o aumento de oferta potencial no Centro-Oeste pode moderar altas de preços sazonais, dependendo do ritmo de colheita e da qualidade obtida nas áreas novas. Estratégias de armazenamento e frete serão decisivas para reduzir perdas pós-colheita.

Região Norte com Ganho de 12% Na Área Plantada, Produtividade Média Estimada em 2,8 T/ha
Projeções apontam expansão de 12% na área plantada de soja no Norte para 2026, com produtividade média prevista em 2,8 t/ha. O avanço ocorre sobretudo em zonas do Pará e do Maranhão, onde investimentos em infraestrutura rodoviária facilitaram o escoamento.
A produtividade menor reflete solos menos preparados e maiores custos de correção, mas o aumento de área pode representar alternativa de renda para produtores locais. Traders internacionais monitoram a qualidade e o teor de óleo da soja do Norte, que influencia cotações para esmagamento.
Impactos logísticos incluem pressão sobre modais hidroviário e rodoviário durante a colheita, exigindo planejamento de embarque para não comprometer preços no mercado externo. Cooperativas regionais buscam parcerias para ampliação de armazéns e silos temporários.
Fertilizantes Têm Alta Média de 30%; Ureia e Fosfato Registram Maiores Aumentos
Dados de fornecedores mostram alta média de 30% nos preços dos fertilizantes rumo à safra 2026, com ureia e fosfato apresentando os maiores reajustes próximos a 40%. O aumento é resultado de custos globais de gás, gargalos de produção e agenda de exportação de grandes fornecedoras.
Produtores relatam que a elevação dos insumos encarece aplicação por hectare, pressionando decisões sobre níveis de adubação ideal. Técnicos agronômicos recomendam adoção de análises de solo mais frequentes para otimizar doses e priorizar correções que garantam retorno econômico.
Algumas cooperativas negociam compras antecipadas com fornecedores internacionais para travar preços, enquanto outras buscam fertilizantes alternativos e fontes locais de matéria-prima. A escolha entre reduzir adubação e arriscar menor produtividade ou manter doses e reduzir margem será crucial.

Custo Médio de Produção Sobe 18%; Margem por Hectare Pode Cair Até 25% Em Áreas Tradicionais
Projeção econômica do setor aponta aumento médio de 18% no custo de produção da soja em 2026, comparado a 2025, considerando insumos, energia e frete. Em regiões tradicionais, a margem por hectare pode reduzir até 25% caso os preços de comercialização não acompanhem os custos.
Produtores com contratos de venda anteriores e hedge financeiro podem atenuar perdas, mas pequenos agricultores sem acesso a crédito tendem a enfrentar maior vulnerabilidade. Consultorias recomendam priorizar renegociação de prazos com fornecedores e desenvolver planejamento financeiro conservador.
Medidas de aumento de eficiência, como plantio direto com cobertura do solo e uso de tecnologias de precisão, aparecem como alternativas para recuperar parte da rentabilidade. Entretanto, a implementação demanda investimento inicial que nem todos os produtores conseguirão acessar.
Oportunidade: Áreas de Baixa Produtividade Prometem Ganhos de Até 15% Com Manejo Adequado
Estudos de manejo indicam que áreas com produtividade historicamente baixa podem ganhar até 15% em rendimento com correções de solo e manejo integrado de pragas antes de 2026. Intervenções incluem adubação localizada, calagem e rotação de culturas bem planejada.
Cooperativas locais têm oferecido programas de assistência técnica para implementar essas medidas, muitas vezes com parcelamento de custos e compartilhamento de riscos. A adoção de práticas sustentáveis também abre portas para certificações que valorizam o produto no mercado internacional.
O ganho potencial permite que produtores marginalizados entrem em cadeias mais lucrativas, desde que consigam financiamento e acesso a insumos. O desafio é escalonar essas práticas sem perder eficiência logística e financeira.
Negociação Antecipada de Preços Reduz Risco; 40% Da Produção Já Pré-vendida por Grandes Cooperativas
Fontes de mercado indicam que grandes cooperativas e traders já pré-venderam cerca de 40% da produção esperada para 2026, buscando reduzir risco de mercado diante da volatilidade dos insumos. Vendas antecipadas incluem contratos futuros e fixação de preço com clientes internacionais.
Essa estratégia protege margens e facilita planejamento de compras de insumos, mas limita ganhos caso os preços subam no mercado físico durante a safra. Pequenos produtores encontram dificuldades de acesso a esses mecanismos e dependem mais de negociações spot e parcerias locais.
Especialistas recomendam diversificar instrumentos de renda, como contratos de opção e uso restrito de forward, para preservar flexibilidade. A combinação entre hedge financeiro e ajuste de plantio por região deverá determinar os vencedores na próxima safra.




































