O 9º boletim da Conab de junho de 2026 trouxe dados que oficializam uma realidade já mapeada por satélite: o Brasil alcança um novo recorde histórico na produção de grãos, somando 358,637 milhões de toneladas, mesmo diante da confirmação da quebra da safrinha do milho. Esse levantamento detalha como a soja impulsionou esse crescimento com um desempenho produtivo sem precedentes, compensando as perdas regionais do milho. Para produtores, analistas e gestores do agronegócio, compreender os números e as tendências desse boletim é fundamental para planejar o segundo semestre e o próximo ciclo agrícola.
Este artigo explora os principais pontos do 9º boletim da Conab, contextualizando os desafios e as oportunidades para o agro brasileiro. Além de apresentar dados atualizados sobre área, produtividade e exportações, analisamos as regiões que se destacaram, o impacto da tecnologia e clima na superação dos obstáculos e as estratégias recomendadas para os produtores seguirem competitivos em 2026.
O que Você Precisa Saber
- O Brasil deve colher 358,637 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, alta de 1,8% em relação ao ciclo anterior, com área cultivada de 83,5 milhões de hectares.
- A soja cravou um novo recorde de produtividade, alcançando 7.110 kg/ha, um salto de 7,6% que compensou a quebra de 600 mil toneladas na safrinha do milho.
- A quebra oficial do milho safrinha ocorreu em Goiás, Triângulo Mineiro, Noroeste de Minas e Matopiba, enquanto Paraná e Mato Grosso do Sul registraram recuperação relevante.
- O valor agregado da soja, com produtividade recorde e demanda sustentável, mantém a exportação firme, projetada em 116,1 milhões de toneladas para 2026.
- Produtores devem focar em travar vendas da soja, acelerar a colheita do milho safrinha e monitorar as safras seguintes, acompanhando previsões climáticas e os próximos boletins da Conab.
O que o 9º Boletim da Conab de Junho de 2026 Revela sobre a Safra de Grãos
O 9º boletim da Conab, divulgado em 11 de junho de 2026, oficializou os números que vinham sendo acompanhados desde abril. A estimativa de produção nacional de grãos para a safra 2025/26 alcança 358,637 milhões de toneladas, representando um crescimento de 1,8% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada foi mantida em 83,5 milhões de hectares, um aumento de 2,2%, enquanto a produtividade média nacional atingiu 4.295 kg/ha.
A revisão para cima de 670 mil toneladas em apenas um mês surpreende diante da confirmação da quebra do milho safrinha — fato que reforça o papel crucial da soja como motor da super-safra. Na prática, o que acontece é que o avanço tecnológico e as condições climáticas favoráveis permitiram que o produtor de soja extraísse mais rendimento por hectare, segurando a balança da produção nacional mesmo com perdas regionais significativas no milho.
| Cultura | 8º Levantamento (14/05) | 9º Levantamento (11/06) | Variação |
|---|---|---|---|
| Total grãos | 357,97 mi t | 358,64 mi t | +670 mil t |
| Soja | 180,1 mi t | 180,3 mi t | +200 mil t |
| Milho safrinha (2ª safra) | 108,5 mi t | 107,9 mi t | -600 mil t |
“A diferença entre o crescimento da soja e a quebra do milho safrinha demonstra que o agro brasileiro é um sistema integrado, onde o ganho em uma cultura pode compensar perdas em outra, garantindo a resiliência da safra nacional.”
Soja a 7.110 Kg/ha — O Recorde de Produtividade que Muda o Agro Brasileiro
A soja da safra 2025/26 apresentou um salto significativo ao atingir uma produtividade média de 7.110 kg/ha, um crescimento de 7,6% em relação ao ano anterior. Com uma colheita praticamente finalizada, a produção total estimada é de 180,3 milhões de toneladas, 8,8 milhões a mais que o ciclo anterior. Esse recorde não é apenas um número impressionante: ele sinaliza que o teto produtivo da soja brasileira ainda está longe de ser alcançado.
Na prática, agricultores nas regiões do Mato Grosso, Goiás, oeste da Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul conseguiram extrair mais rendimento graças a uma combinação de fatores: clima favorável ao longo do ciclo, uso intensivo de tecnologia (sementes melhoradas, fertilizantes e manejo adequado), adoção crescente do sistema ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) e renovação varietal com cultivares mais resistentes a pragas e estresses climáticos.
“Produtores que investem em tecnologia e manejo integrado conseguem superar desafios climáticos e aumentar a produtividade de soja, mesmo em anos desafiadores para outras culturas.”

O Milho Safrinha — A Quebra Oficial que o Satélite Anunciou
A segunda safra de milho, conhecida como safrinha, foi oficialmente confirmada como tendo sofrido uma quebra no 9º boletim da Conab. A estimativa atual é de 107,9 milhões de toneladas, uma redução de 600 mil toneladas em relação ao levantamento anterior. A quebra foi mais intensa em Goiás, Triângulo Mineiro, Noroeste de Minas e parte do Matopiba, regiões que já vinham sendo monitoradas pelo Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA) da Conab desde maio.
Por outro lado, houve recuperação nas regiões do Paraná e Mato Grosso do Sul, graças às chuvas de maio que ajudaram a salvar parte das lavouras. Tocantins, Pará e Rondônia mantêm boas condições, com 98% das lavouras em fase de enchimento e em bom estado. A colheita do milho safrinha ainda está em andamento, o que significa que os números podem sofrer ajustes, embora a Conab tenha optado por não revisar para baixo devido à compensação regional.
Soja X Milho — Quando a Balança da Super-safra Pendeu para o Lado da Oleaginosa
O contraste entre soja e milho na safra 2025/26 é um exemplo claro do equilíbrio dinâmico do agro brasileiro. Enquanto a soja somou mais 200 mil toneladas no último mês, o milho safrinha recuou 600 mil toneladas. No entanto, o valor agregado da soja supera essa diferença em volume. A produtividade recorde aliada a preços firmes e demanda internacional consolidada mantém a soja como a principal âncora da renda rural.
A exportação de soja está projetada em 116,1 milhões de toneladas, com um processamento interno de 61,58 milhões de toneladas. O estoque de passagem, estimado em 9,2 milhões de toneladas, é confortável, o que garante equilíbrio entre oferta e demanda. Já o milho registra um estoque ajustado para mais, com 13,25 milhões de toneladas previstos para o final de janeiro de 2027.

Os “outros Grãos” no 9º Levantamento — Arroz, Feijão e Algodão
Além da soja e do milho, o boletim da Conab traz números importantes para outras culturas essenciais ao mercado interno e às exportações. O feijão, que compreende três safras, deve alcançar perto de 3 milhões de toneladas, com uma queda de 0,5% em relação ao ciclo anterior, confirmando a tendência de retração já apontada anteriormente. Mesmo assim, o abastecimento interno está garantido, especialmente com as safras mais recentes entrando no mercado.
O arroz mantém estabilidade na produção, com 11,08 milhões de toneladas, sustentado por produtividade recorde de 7.281 kg/ha. O algodão, ainda em desenvolvimento na segunda safra, projeta uma colheita próxima a 4 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 3,2 milhões, impulsionadas pela retomada da demanda chinesa.
O trigo segue em alerta, principalmente pelas condições climáticas adversas no sequeiro de Goiás e Minas Gerais, que afetam o perfilhamento, enquanto o Paraná vive situação emergencial e o Rio Grande do Sul ainda não iniciou o plantio. Essa situação reforça a dependência do Brasil das importações e a pressão sobre o câmbio.
O Capítulo Regional — Quem Fechou a Safra como Vencedor
O balanço regional do 9º boletim da Conab destaca o protagonismo de algumas regiões na superação dos desafios climáticos e produtivos. Mato Grosso lidera como motor da super-safra, combinando expansão da área e ganhos em produtividade. Goiás manteve ganhos expressivos na soja, mesmo sofrendo com a quebra no milho safrinha, enquanto o oeste da Bahia desponta como destaque do Matopiba, com soja em níveis recordes.
Paraná e Mato Grosso do Sul recuperaram-se das dificuldades iniciais na safrinha, graças às chuvas de maio, enquanto o Rio Grande do Sul saiu da quebra histórica do ciclo anterior e conseguiu uma colheita razoável. Por outro lado, regiões como o leste goiano, Triângulo Mineiro, noroeste de Minas, Maranhão e Piauí enfrentaram perdas significativas no milho safrinha.
“A diversidade climática e tecnológica das regiões brasileiras permite que, diante de perdas pontuais, o país mantenha sua posição como potência agrícola global.”
O que Isso Significa para o Mercado — Preços, Exportação e Logística no Segundo Semestre
No segundo semestre, o mercado agrícola brasileiro deve seguir sob influências variadas, com a soja mantendo pressão baixista pela oferta, mas sustentada pela demanda firme da China. A competição com EUA e Argentina será intensa, e a logística nos portos do Norte e Centro-Sul será fator decisivo para o escoamento da super-safra.
O dólar continua sendo variável-chave para o produtor que ainda possui estoques. Já o milho deve manter preços sustentados pela quebra regional e demanda ativa para etanol e exportação, com projeções de 46,5 milhões de toneladas exportadas. O feijão merece atenção especial pelas próximas safras, que podem influenciar a formação de preços.
O arroz deve apresentar estabilidade com possibilidade de leve alta, enquanto o trigo enfrenta desafios que podem aumentar a dependência das importações, pressionando o câmbio e os custos.
O que o Produtor Deve Fazer Agora — Cinco Frentes para Aproveitar o Cenário
- Soja: travar parte das vendas no mercado físico aproveitando os preços atuais, dividindo a comercialização entre exportação e processamento para reduzir riscos.
- Milho safrinha: acelerar a colheita e garantir a secagem adequada, já que a qualidade pode representar prêmio em cenário de quebra regional.
- Milho da terceira safra: monitorar plantio e fiscalização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), pois a janela para cultivo está se fechando.
- Trigo: tomar decisão urgente para quem ainda não plantou no Sul do país, reavaliando investimentos especialmente nas áreas de sequeiro do Cerrado.
- Planejamento 2026/27: acompanhar atentamente as previsões climáticas, especialmente o potencial fenômeno El Niño, e o primeiro levantamento da próxima safra, previsto para 15 de outubro.
Essas ações são essenciais para que o produtor brasileiro mantenha sua competitividade e aproveite as oportunidades dentro do cenário desafiador e dinâmico do agronegócio nacional.
Perguntas Frequentes
Qual a Previsão da Conab para a Safra de Grãos 2025/26 Em Junho de 2026?
A Conab estima uma produção total de 358,637 milhões de toneladas de grãos para a safra 2025/26, o que representa um novo recorde histórico. Esse número reflete o crescimento de 1,8% em relação ao ciclo anterior, mesmo com a quebra da safrinha do milho em algumas regiões. A área cultivada está estimada em 83,5 milhões de hectares, mantendo o ritmo de expansão do setor.
Quanto a Soja Brasileira Produziu por Hectare em 2026?
A soja brasileira atingiu uma produtividade média de 7.110 kg por hectare na safra 2025/26, estabelecendo um recorde histórico para a primeira safra. Esse aumento de 7,6% em relação ao ciclo anterior é resultado da combinação de clima favorável, avanços tecnológicos e adoção de práticas agrícolas modernas, consolidando a soja como a cultura mais rentável do país.
O Milho Safrinha 2026 Quebrou? Quais Regiões Foram Mais Afetadas?
Sim, o milho safrinha sofreu uma quebra oficial na safra 2026. As regiões mais afetadas incluem Goiás, Triângulo Mineiro, Noroeste de Minas e parte do Matopiba. No entanto, houve recuperação em regiões como Paraná e Mato Grosso do Sul, graças às chuvas de maio. A Conab revisou a produção para 107,9 milhões de toneladas, uma redução de 600 mil toneladas em relação ao levantamento anterior.
Quanto a Conab Estima que o Brasil Vai Exportar de Soja em 2026?
A exportação de soja para o ano de 2026 está projetada em 116,1 milhões de toneladas, mantendo-se firme apesar das variações climáticas e de mercado. Esse volume evidencia a importância da soja para a balança comercial brasileira e reforça o papel do país como um dos maiores exportadores mundiais dessa commodity.
Quando Sai o Próximo Boletim da Conab e o que Ele Deve Trazer?
O próximo boletim da Conab, o 10º Levantamento de Grãos, está previsto para ser divulgado em julho de 2026. Ele deve consolidar os dados da safrinha e oferecer uma atualização importante para o planejamento do segundo semestre. O 12º e último levantamento da safra 2025/26 será divulgado em 15 de setembro, marcando o fechamento oficial do ciclo.




































