Especialistas apontam dificuldade em encontrar engenheiros e cientistas de dados para projetos de inteligência artificial no país.
SÃO PAULO — A escassez de pessoal qualificado tem sido o maior entrave para empresas brasileiras extraírem os benefícios da inovação, especialmente na área de inteligência artificial (IA). Segundo executivos de grandes companhias, a falta de engenheiros e cientistas de dados experientes dificulta a implementação de novas tecnologias, mesmo com a disponibilidade de infraestrutura robusta.
Embora o investimento em data centers e serviços de nuvem tenha avançado, a carência de profissionais especializados compromete a capacidade das empresas de utilizar plenamente essas ferramentas. O problema foi destacado em painel do Arena Impacto, evento realizado no Cubo Itaú, em São Paulo, que reuniu líderes do setor de tecnologia e agronegócio.
Falta de Qualificação Técnica Compromete Projetos de IA em Setores Estratégicos
Empresas como Oracle, Siemens Healthineers e Amazon Web Services (AWS) relataram que a maior dificuldade para extrair resultados dos avanços tecnológicos está na ausência de profissionais preparados para operar e gerir sistemas complexos. Marco Righetti, diretor sênior da Oracle na América Latina, citou um projeto com aplicação de IA em uma usina de cana-de-açúcar, no qual o principal obstáculo foi a carência de engenheiros e cientistas de dados para melhorar a logística interna.
Na área médica, a Siemens Healthineers enfrentou problema semelhante durante a pandemia. A empresa utilizou algoritmos treinados na Universidade de Princeton (EUA) para análise de tomografias em triagem de pacientes com suspeita de covid-19. Contudo, a operação dos equipamentos gerou gargalos devido à falta de profissionais técnicos capacitados para lidar com o volume de imagens e a complexidade dos processos.
Brasil se Destaca no Cenário Global, mas Enfrenta Limitação de Talentos
Luis Caro, líder de inovação em nuvem e IA da AWS no Brasil, destacou que o país foi o oitavo no mundo a receber um data center da companhia, o que demonstra o potencial local para desenvolvimento tecnológico. Mesmo assim, apenas 15% das empresas que adotaram IA no país estão implementando a chamada IA agêntica — sistemas capazes de tomar decisões e agir autonomamente.
Essa discrepância evidencia um gap entre infraestrutura disponível e capacidade técnica para utilizá-la plenamente. Segundo especialistas, o Brasil precisa ampliar investimentos em formação e atração de profissionais qualificados para manter o ritmo de inovação.

Modelos Híbridos de Data Centers Ajudam a Equilibrar Segurança e Eficiência
Para garantir agilidade e proteção dos dados, algumas empresas adotam modelos híbridos de data centers. A Siemens Healthineers, por exemplo, combina serviços terceirizados da nuvem da AWS com infraestrutura própria, mantendo dados críticos em servidores locais para acesso rápido.
Marco Righetti ressalta que os data centers funcionam como “fábricas de IA”, sendo fundamentais para a cadeia de inovação. Esse modelo híbrido pode ser uma alternativa para lidar com limitações de pessoal, ao terceirizar parte da operação e concentrar o foco interno em áreas estratégicas.
Investimento em Capacitação é Caminho para Superar Gargalos
Especialistas apontam que o avanço tecnológico no Brasil dependerá diretamente da qualificação do capital humano. A falta de engenheiros e cientistas de dados pode atrasar projetos de automação e inteligência artificial, prejudicando setores como agronegócio, saúde e indústria.
Iniciativas públicas e privadas voltadas à formação técnica e ao treinamento especializado são essenciais para reduzir essa lacuna. Além disso, a adoção de modelos de gestão que integrem serviços externos e internos pode otimizar o uso da infraestrutura disponível.

Contexto do Avanço Tecnológico nas Empresas Brasileiras
O Brasil tem investido na modernização da infraestrutura de tecnologia da informação, com crescimento na implementação de centros de dados e serviços em nuvem. No agronegócio, por exemplo, tecnologias como IA aceleram processos e aumentam a produtividade, conforme demonstrado em estudos recentes.
No entanto, a complexidade dessas tecnologias exige profissionais preparados para interpretar dados, desenvolver algoritmos e garantir a operação segura dos sistemas. Sem esse suporte, o potencial das inovações fica limitado, atrasando ganhos para a economia nacional.
Implicações Práticas para o Agronegócio e Outras Indústrias
A dificuldade em encontrar profissionais capacitados pode impactar diretamente a competitividade do agronegócio, que depende cada vez mais de soluções digitais para otimizar o manejo e a logística. A integração de tecnologias como drones, automação e IA demanda mão de obra especializada para implementação e manutenção.
Além do setor agrícola, áreas como saúde e indústria também enfrentam desafios similares. O investimento em formação técnica, portanto, é decisivo para que essas indústrias possam avançar com segurança e eficiência, acompanhando tendências globais.
Entenda em 4 Pontos a Barreira da Falta de Pessoal Qualificado
- Escassez de engenheiros e cientistas de dados limita projetos de IA no Brasil.
- Investimento em infraestrutura cresce, mas uso pleno depende de mão de obra especializada.
- Modelos híbridos de data centers equilibram segurança e eficiência operacional.
- Capacitação técnica é essencial para manter competitividade em setores estratégicos.
Para saber mais sobre como a tecnologia transforma o campo, leia também Inteligência Artificial Acelera Desenvolvimento de Máquinas Agrícolas em Até 40% e entenda a importância da tecnologia dos drones agrícolas. O avanço da inovação depende também da democratização do acesso, conforme exposto em Democratização: A Tecnologia Chegando Ao Médio Produtor.
Fonte: Globorural.globo



































