Solicitações de produtores rurais e empresas do setor somaram quase 2 mil em 2025, maior volume da série histórica iniciada em 2021.
BRASÍLIA — O agronegócio brasileiro registrou um aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial em 2025, segundo dados da Serasa Experian. Foram 1.990 solicitações, o maior número desde o início da série histórica em 2021, representando crescimento de 56,4% em relação aos 1.272 pedidos contabilizados no ano anterior. A alta nos processos evidencia uma deterioração financeira no campo, estimulada por juros elevados, frustrações de safra e aumento dos custos de produção.
O avanço dos pedidos atinge produtores pessoas físicas e jurídicas, além de empresas da cadeia produtiva. Entre os produtores físicos, foram 853 pedidos, alta de 50,7%, enquanto os produtores jurídicos registraram 753 solicitações, crescimento de 84,1%. Outros 384 casos envolveram companhias relacionadas ao agronegócio. Em 2026, o ritmo continua acelerado, com 474 pedidos no primeiro trimestre, 21,9% acima do mesmo período do ano anterior.
Quase 2 Mil Pedidos de Recuperação Judicial em 2025 Refletem Crise Financeira no Campo
O aumento nas solicitações de recuperação judicial no agronegócio revela o agravamento do endividamento rural. A pressão financeira decorre da combinação de fatores como juros altos, quebra de safra, queda nas margens de lucro, custos crescentes e dificuldade no acesso ao crédito. No início de 2026, as operações rurais consideradas problemáticas somavam R$ 171,2 bilhões, o equivalente a 19,6% do crédito rural analisado, mais que o triplo do percentual registrado dois anos antes, que era de 5,5%.
O cultivo da soja e a criação de bovinos lideram as atividades com maior número de pedidos. O cenário torna evidente a necessidade de planejamento financeiro e suporte jurídico para evitar perdas maiores, como a execução de bens e a venda forçada das propriedades rurais.
Recuperação Judicial: Instrumento para Manter a Viabilidade Econômica da Fazenda
A recuperação judicial não é sinônimo de falência, mas uma ferramenta para preservar atividades economicamente viáveis que enfrentam crises financeiras temporárias. Ela permite a renegociação de dívidas, a reorganização do fluxo de caixa e ajuda a evitar a perda do patrimônio, desde que haja capacidade produtiva, mercado e perspectiva de receita.
Especialistas alertam que o produtor rural deve buscar auxílio jurídico antes que as dívidas virem execuções ou as garantias sejam penhoradas. O diagnóstico precoce pode definir se o caminho ideal é o alongamento da dívida, a recuperação extrajudicial ou o pedido formal de recuperação judicial.

Perfil dos Produtores: Alta Significativa nas Pessoas Jurídicas e Físicas
O crescimento de 84,1% nos pedidos entre produtores rurais constituídos como pessoa jurídica indica que empresas do setor enfrentam desafios financeiros mais intensos. Entre pessoas físicas, o aumento de 50,7% mostra que produtores individuais também estão fragilizados.
Além desses, empresas da cadeia do agronegócio tiveram 384 pedidos em 2025, evidenciando que a crise atinge toda a estrutura do setor, desde a produção até a indústria e o comércio relacionados.
Estoque de CNPJs em Recuperação Judicial Cresce 66% No Primeiro Semestre de 2026
Dados da RGF e da Bizdoc apontam que o número de CNPJs de produtores rurais em recuperação judicial chegou a 1.263 no final do primeiro semestre de 2026. Esse estoque representa aumento de 66% em um ano e 21,4% em relação ao encerramento de 2025. Parte desse crescimento pode ser atribuída à inclusão de microprodutores na metodologia de análise.
Esse indicador reforça a tendência de agravamento da situação financeira no campo, exigindo atenção das instituições financeiras, produtores e órgãos de apoio ao setor.

Como Escolher Entre Alongamento, Recuperação Extrajudicial e Judicial
A decisão sobre o tipo de renegociação depende da origem da dívida, perfil dos credores, garantias envolvidas e capacidade futura de pagamento. O alongamento pode ser indicado para crises temporárias, como perdas causadas por eventos climáticos ou problemas de comercialização, quando a atividade ainda é economicamente viável.
Já a recuperação extrajudicial é adequada para produtores que mantêm boa capacidade de negociação e conseguem acordo organizado com os principais credores. Essa opção costuma ser mais rápida e menos exposta, mas requer adesão mínima e cooperação dos credores.
A recuperação judicial é recomendada quando as dívidas estão em estágio avançado e há risco de execução ou leilão. Ela oferece um ambiente jurídico para reestruturar dívidas, mas não cria recursos financeiros e não resolve operações inviáveis.
Importância do Diagnóstico Jurídico e Financeiro Antecipado para o Produtor Rural
Especialistas reforçam que o produtor deve buscar assessoria jurídica e financeira antes que a situação se agrave. É essencial analisar contratos, garantias, fluxo de caixa, custo de produção e perspectiva de receita para definir a melhor estratégia.
Documentos como laudos agronômicos, notas fiscais e projeções financeiras ajudam a demonstrar a capacidade de pagamento futura e as causas da crise. Renegociações mal feitas podem agravar o problema, aumentando juros e comprometendo o patrimônio.
Nesse sentido, o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça permite o pedido de recuperação judicial para produtores rurais registrados há mais de dois anos, mesmo que o registro na Junta Comercial tenha ocorrido mais recentemente.
Para entender mais sobre a situação atual do agronegócio e a recuperação judicial, confira também os artigos sobre como calcular o custo de produção real e como ler um boletim da Conab, que ajudam produtores a planejar melhor suas finanças.
Além disso, a rede de pesquisas sobre insumos pode contribuir para aumentar a produtividade e melhorar a rentabilidade, reduzindo riscos financeiros futuros.
Entenda em 5 Pontos a Recuperação Judicial no Agronegócio
- Pedidos de recuperação judicial no agronegócio cresceram 56% em 2025, totalizando quase 2 mil solicitações.
- Produtores físicos e jurídicos enfrentam forte pressão financeira; atividades como soja e bovinos lideram casos.
- Recuperação judicial é uma ferramenta para renegociar dívidas e preservar propriedades viáveis.
- Estoque de CNPJs em recuperação aumentou 66% no primeiro semestre de 2026, mostrando agravamento do cenário.
- Decisão entre alongamento, recuperação extrajudicial ou judicial depende de análise detalhada do perfil da dívida e da capacidade de pagamento.
Fonte: Comprerural




































