Em fevereiro de 2026, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) surpreendeu o setor agrícola ao divulgar a maior projeção histórica para a safra de café no Brasil: 66,2 milhões de sacas beneficiadas. Essa expectativa elevou a expectativa nacional sobre o desempenho da cultura, especialmente para as variedades arábica e conilon, pilares da produção brasileira. Contudo, na ocasião, especialistas alertaram que o cenário ainda era incerto, pois o grão estava em fases iniciais de desenvolvimento, suscetível a variações climáticas e fitossanitárias.
Agora, com a colheita do arábica já em andamento e técnicos da Conab visitando dez estados produtores entre abril e maio, o segundo boletim da safra 2026 traz dados concretos do campo. Este levantamento é decisivo para confirmar ou ajustar a projeção inicial, refletindo diretamente nos preços praticados no mercado interno e na dinâmica do comércio exterior. Entender o que o 2º Levantamento revela sobre as condições reais da safra é fundamental para quem acompanha o café no Brasil.
O que Você Precisa Saber sobre a Safra de Café em 2026
- O 2º Levantamento da Conab é o primeiro com dados da colheita em campo, possibilitando ajustes na projeção inicial de 66,2 milhões de sacas.
- A bienalidade positiva do arábica, aliada a avanços tecnológicos e clima favorável, sustenta a expectativa de safra recorde, apesar de desafios como o “chumbinho seco”.
- O conilon mantém crescimento moderado, com destaque para Espírito Santo e Rondônia, impulsionado pela renovação clonal e expansão de áreas.
- Mesmo com a safra expressiva, o preço do café no supermercado deve cair de forma gradual, pois o estoque global está no menor patamar dos últimos 25 anos.
- Minas Gerais permanece como o principal estado produtor, com mais de metade da produção nacional, influenciando decisivamente o mercado interno e externo.
Por que o 2º Levantamento da Safra de Café 2026 No Brasil é O Boletim Mais Importante do Ano
A Conab realiza quatro levantamentos anuais para a safra de café: em fevereiro, maio, setembro e janeiro. Enquanto o primeiro, divulgado em fevereiro, é uma projeção baseada na florada e enchimento dos grãos, o segundo levantamento, divulgado em maio, traz dados reais colhidos no campo, com a colheita já iniciada. Entre 6 e 17 de abril, técnicos percorreram dez estados produtores, aplicando questionários detalhados sobre características das lavouras, nível tecnológico, manejo, condições climáticas e fitossanitárias.
Fabiano Vasconcellos, gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, destaca que “o segundo levantamento traduz a realidade do pé do café, não apenas o que estava no papel”. Essa transição do “papel” para o “pé” é crucial, pois as condições durante a florada podem mudar drasticamente com eventos climáticos adversos, como geadas tardias ou o fenômeno conhecido como “chumbinho seco”. Por isso, o 2º levantamento é a referência mais confiável para produtores, traders e indústrias.
“O que separa a projeção inicial da realidade é o olhar atento no campo, que revela os efeitos concretos do clima e manejo na safra.” – Fabiano Vasconcellos, Conab
O que o 1º Levantamento de Fevereiro Projetou para o Café em 2026
O primeiro boletim da Conab indicou uma produção recorde de 66,2 milhões de sacas beneficiadas, um aumento de 17,1% em relação a 2025, que já foi um ano de safra baixa por conta da bienalidade natural do arábica. A produção de arábica foi projetada em 44,1 milhões de sacas, um salto de 23,3%, enquanto o conilon atingiria 22,1 milhões, um crescimento mais modesto de 6,4%, mas ainda assim um possível recorde para essa variedade.
A área plantada chegou a 1,9 milhão de hectares, com um aumento de 4,1%, refletindo expansão e renovação das lavouras. A produtividade média esperada foi de 34,2 sacas por hectare, um salto de 12,4%, resultado da combinação entre clima favorável, manejo aprimorado e tecnologia. Minas Gerais liderou como maior produtor, com 32,4 milhões de sacas, seguido por Espírito Santo, São Paulo, Bahia e Rondônia.

O que o 2º Levantamento Confirma ou Ajusta sobre o Arábica
O segundo boletim da Conab, divulgado em maio, ajusta a projeção do arábica com base em dados do início da colheita, especialmente em Minas Gerais, principal estado produtor. As regiões do Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Matas de Minas apresentaram um comportamento variado, com algumas perdas causadas pelo “chumbinho seco” – um fenômeno que danifica os frutos durante a fase de enchimento, afetando a quantidade e qualidade dos grãos.
Apesar disso, a peneira média do grão, que impacta diretamente a qualidade e o preço no mercado, mantém-se dentro das expectativas para o ciclo de bienalidade positiva. Minas Gerais, São Paulo e parte da Bahia mostram resultados promissores nos primeiros lotes colhidos, embora com atenção para variações locais. Essa atualização é fundamental para ajustar o planejamento comercial do cafeicultor e da indústria.
“Na prática, o que acontece é que as projeções só ganham corpo quando o grão começa a sair do pé e a qualidade se confirma.”
O que o 2º Levantamento Revela sobre o Conilon
O conilon, variedade predominante no Espírito Santo, Rondônia e norte da Bahia, também teve sua projeção revisada. O boletim confirmou a expectativa de 22,1 milhões de sacas, com Espírito Santo como o maior produtor, com 14,9 milhões, seguido por Rondônia, que se destaca pela renovação clonal e crescimento de 18,3% na produção, reflexo do uso de cultivares mais resistentes e manejo aprimorado.
A Bahia, especialmente a Chapada Diamantina e o oeste do estado, emerge como um polo importante para o conilon. O momento atual do conilon é estruturalmente diferente do arábica, pois depende muito mais de chuvas regulares, clonagem para controle de pragas e expansão de área. Essa variedade tem papel estratégico na indústria de cafés solúveis e no mercado interno brasileiro.

Bienalidade, Clima e Tecnologia — Os Três Pilares da Safra que Pode Bater Recorde
A bienalidade é um fenômeno fisiológico do cafeeiro, que alterna anos de alta e baixa produção. Após 2025, um ano de carga baixa, 2026 é esperado como um ano de carga alta, com maior número de frutos. O clima também tem sido favorável, com chuvas bem distribuídas antes da florada e boas precipitações no norte do Espírito Santo.
Além disso, a tecnologia tem avançado em áreas como Rondônia, Espírito Santo e Bahia, onde a renovação clonal tem substituído plantas antigas por cultivares mais produtivas e resistentes. O manejo com sensores para irrigação e controle fitossanitário contribui para o crescimento da produtividade, que saltou 12,4% na média nacional. A Conab destaca “a adoção de tecnologias e boas práticas de manejo nas lavouras” como fator crucial para o desempenho esperado.
O Paradoxo do Café Brasileiro: Safra Recorde e Preço Alto
Apesar da expectativa de safra recorde para 2026, o preço do café ao consumidor ainda deve permanecer alto no curto prazo. Entre os últimos anos, o preço acumulado no varejo subiu 99,46%. Isso se explica porque o estoque global de café no início do ciclo 2025/26 está no menor nível dos últimos 25 anos, com apenas 21,3 milhões de sacas disponíveis.
A demanda mundial, especialmente puxada pela Ásia, alcança 173,9 milhões de sacas, e a previsão é de nova redução no estoque global ao final do ciclo, chegando a 20,1 milhões. Embora o Vietnã também registre boa produção, ela não compensa o déficit global. O Brasil exportou US$ 16,1 bilhões em café em 2025, um aumento de 30,3% no valor, mesmo com volume 17,1% menor, refletindo o aumento do preço médio em 57,2%.
Minas Gerais — O Coração da Safra Recorde de Café
Minas Gerais lidera a produção nacional com 32,4 milhões de sacas projetadas para 2026, representando mais da metade do total brasileiro. Esse volume é aproximadamente 26% maior que o registrado em 2025, ano de bienalidade baixa. A boa distribuição de chuvas antes da florada e a recuperação fisiológica das plantas contribuem para esse desempenho.
As sub-regiões Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Mantiqueira de Minas, Matas de Minas e Chapada de Minas apresentam variações nos primeiros lotes colhidos, mas a tendência geral é positiva. O produtor mineiro enfrenta o desafio de equilibrar a venda à vista com a manutenção de estoques para o segundo semestre, numa estratégia que visa aproveitar as oscilações de preço.
Espírito Santo, Rondônia, Bahia e São Paulo — Os Outros Polos do Café em 2026
Além de Minas Gerais, Espírito Santo, Rondônia, Bahia e São Paulo são polos fundamentais na produção de café. Espírito Santo projeta 19 milhões de sacas, com destaque para o conilon que deve alcançar 14,9 milhões, beneficiado pelas precipitações no norte capixaba. Rondônia apresenta crescimento expressivo de 18,3%, resultado da renovação clonal e clima favorável, impulsionando uma transformação tecnológica na região.
Na Bahia, a produção total estimada é de 4,6 milhões de sacas, com 1,2 milhão de arábica e 3,4 milhões de conilon, especialmente nas regiões da Chapada Diamantina e oeste do estado. São Paulo, com 5,5 milhões de sacas, mostra recuperação de áreas afetadas em 2025, alinhada à bienalidade positiva. Regiões emergentes, como Paraná, já começam a explorar a safrinha de café, ampliando o mapa produtivo.
O que o 2º Levantamento Significa para o Preço no Mercado Interno e Externo
No curto prazo, a pressão baixista sobre os preços pode surgir da maior oferta decorrente da safra recorde, mas a baixa disponibilidade no estoque global mantém o gatilho para alta. As bolsas de Nova York e Londres reagiram ao 1º levantamento com quedas, mas especialistas indicam que a redução do preço da xícara no supermercado será gradual.
Além disso, o produtor não precisa se precipitar na venda, pois a armazenagem é uma ferramenta estratégica para negociar preços futuros. O mercado físico nacional revela diferenças no comportamento do arábica, mais sensível às variações climáticas, e do conilon, cuja demanda interna é mais estável. A formação do preço internacional também sofre influência de produtores como Vietnã, Colômbia, Indonésia e Honduras.
O que Fazer Agora: Manejo e Comercialização para o Cafeicultor
Na fase atual, o manejo para o cafeicultor é essencial para preservar a qualidade e o valor do produto. Otimizar a janela de colheita evita perdas e grãos desclassificados por excesso de secagem no pé. O pós-colheita requer atenção à secagem correta, seja em terreiro ou secadores, e controle rigoroso da fermentação para garantir sabor e aroma.
Na comercialização, a recomendação é dividir o estoque entre vendas imediatas e contratos futuros, garantindo estabilidade financeira. Manter parte do estoque para o segundo semestre é prudente, considerando a tendência de preço sustentado. O preparo para 2027, ano de bienalidade negativa, passa pela adubação pós-colheita e renovação dos talhões, substituindo cultivares antigos por variedades resistentes. O clima úmido exige vigilância constante contra ferrugem e broca.
O que Esperar dos Próximos Boletins da Conab para o Café em 2026
O terceiro levantamento da safra está previsto para 24 de setembro de 2026, quando a colheita estará praticamente finalizada. Esse boletim trará ajustes finais e permitirá uma visão mais consolidada da safra. O quarto e último levantamento, marcado para 7 de janeiro de 2027, encerrará a safra de 2026 e indicará os primeiros sinais para o ciclo de 2027, que será de carga baixa pela bienalidade.
Os próximos meses demandam monitoramento atento do clima durante a florada de 2026/27, especialmente entre agosto e outubro, além da vigilância contra pragas e doenças no inverno. O calendário da Conab ainda inclui eventos e orientações estratégicas para o cafeicultor, que devem ser acompanhados para decisões assertivas.
Safra de Café 2026 No Brasil — Entre o Recorde Anunciado e a Colheita Real
O anúncio da Conab em fevereiro criou expectativa, mas a verdade só chegou com o campo respondendo no segundo levantamento. O Brasil reafirma seu protagonismo como maior produtor mundial de café, apoiado na bienalidade, clima favorável e avanços tecnológicos. No entanto, o produtor precisa entender que safra recorde e estoque mundial baixo são fatores que sustentam o preço, e a janela para uma comercialização estratégica é única e limitada.
Seguir de perto os próximos levantamentos e ajustar práticas de manejo e venda será decisivo para aproveitar ao máximo o potencial da safra e garantir estabilidade financeira diante das oscilações do mercado.
O que é O 2º Levantamento da Safra de Café da Conab?
O 2º Levantamento da Safra de Café da Conab é o primeiro boletim que traz dados reais da colheita em andamento, realizado entre abril e maio. Diferente do primeiro levantamento, que é uma projeção baseada na florada, este relatório considera o que já saiu do pé, incluindo informações sobre manejo, clima e fitossanidade. Ele é fundamental para ajustar expectativas e orientar decisões de mercado e produção.
Quando Sai o Próximo Boletim da Conab para o Café em 2026?
Após o 2º levantamento divulgado em maio, o terceiro está agendado para 24 de setembro de 2026, com a colheita praticamente encerrada e ajustes finais. O quarto e último boletim da safra será publicado em 7 de janeiro de 2027, apresentando o fechamento completo da safra 2026 e projeções iniciais para 2027.
A Safra Recorde de Café Vai Derrubar o Preço da Xícara no Supermercado?
Apesar da expectativa de safra recorde em 2026, a queda no preço da xícara do café no varejo será gradual. Isso ocorre porque o estoque global está no menor nível dos últimos 25 anos, limitando a oferta disponível e mantendo os preços altos. A pressão para redução existe, mas o equilíbrio entre oferta e demanda preserva um preço sustentado.
O que é Bienalidade no Café e como Afeta a Safra de 2026?
A bienalidade é o ciclo natural do cafeeiro que alterna anos de produção alta e baixa. Em 2025, o Brasil viveu um ano de carga baixa, resultando em menor safra. Já 2026 é um ano de carga alta, com maior volume esperado, o que explica o salto projetado de produção. Esse fenômeno é fundamental para entender as oscilações anuais da produção e os impactos no mercado.
Qual o Maior Estado Produtor de Café no Brasil em 2026?
Minas Gerais continua sendo o maior estado produtor de café no Brasil, com uma projeção de 32,4 milhões de sacas para 2026, o que representa mais da metade da produção nacional. O estado se beneficia da diversidade de regiões produtoras, como Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Matas de Minas, além do manejo avançado e condições climáticas favoráveis.



































