Exigência de rastreabilidade deve aumentar controle da origem do café e impactar cadeia produtiva internacional do setor.
BRUXELAS — A nova regra da União Europeia voltada ao combate ao desmatamento deve transformar a forma como o café é produzido e comercializado mundialmente. O regulamento, conhecido como EUDR (Regulamento sobre Produtos Livres de Desmatamento), exige que importadores forneçam informações detalhadas sobre a origem das matérias-primas, o que deve elevar a importância da rastreabilidade em toda a cadeia produtiva.
Segundo estudo da organização Trase, embora a norma tenha foco no mercado europeu, seus efeitos podem alcançar países fora do bloco, devido à atuação global das grandes empresas do setor. Para muitas companhias, manter padrões distintos para a Europa e outros mercados pode ser inviável, levando à adoção de um único modelo ambiental e de controle para todas as operações.
Exigência de Rastreabilidade Detalhada Deve Transformar Cadeia Internacional do Café
O EUDR obriga que produtos comercializados na União Europeia não estejam ligados ao desmatamento, aumentando a necessidade de comprovação da origem dos grãos. Para o café, isso implica que importadores precisam apresentar dados específicos sobre as áreas produtivas, desde as propriedades rurais até a exportação. Essa medida visa garantir que o comércio europeu seja sustentável e livre da conversão de florestas.
A mudança deve impactar diretamente a relação entre compradores e fornecedores, pois a procedência do café ganhará peso comercial ainda maior. Produtores e exportadores interessados em manter o acesso ao mercado europeu precisarão adequar seus processos para cumprir os novos parâmetros ambientais e de transparência.
Mercado Europeu Responde por 40% Das Importações Globais de Café
A União Europeia desempenha papel central no comércio internacional de café, respondendo por cerca de 40% das importações globais da commodity. Além disso, as principais empresas que abastecem o mercado europeu operam em múltiplas regiões, com participação estimada em 80% dos embarques internacionais, segundo a análise da Trase.
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Essa estrutura globalizada explica por que as regras europeias podem gerar efeito cascata em outros mercados. Empresas como JDE Peet’s, Louis Dreyfus e Neumann Gruppe direcionam grande parte de seus cafés para a UE, com 84%, 63% e 53% dos volumes, respectivamente. Isso reforça a tendência de um alinhamento dos padrões ambientais e de rastreabilidade em escala mundial.

Empresas Podem Optar por Unificar Padrões para Reduzir Custos e Complexidade
Segundo a Trase, as companhias com forte presença no mercado europeu tendem a considerar pouco eficiente manter operações com dois modelos distintos de controle. Uma alternativa seria separar lotes específicos para a UE, mas outra, mais provável, é ampliar os sistemas de rastreabilidade para abranger uma parcela maior das compras, independentemente do destino final.
O alinhamento dos processos facilita a gestão e reduz custos, ao mesmo tempo que ajuda a preservar o acesso ao mercado europeu, que exige compliance rigoroso. Essa adaptação pode acelerar a adoção global de práticas sustentáveis na produção de café, influenciando fornecedores e produtores em diversas regiões.
Contexto do EUDR e Combate Ao Desmatamento na Cadeia de Commodities
O Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) foi criado para controlar commodities associadas à conversão de áreas florestais, como soja, carne, óleo de palma e café. A norma exige que empresas forneçam informações que comprovem a origem das matérias-primas, visando reduzir o impacto ambiental e promover cadeias produtivas mais sustentáveis.
O foco do regulamento é minimizar a contribuição do comércio europeu ao desmatamento global, fortalecendo o controle sobre a produção agrícola e os processos de exportação. Dessa forma, o EUDR representa um avanço regulatório que pode influenciar políticas ambientais em outros países.

Implicações para Produtores e Exportadores Fora da União Europeia
Para produtores e exportadores localizados fora do bloco, a nova regra implica a necessidade de maior organização e transparência das informações sobre as propriedades rurais e seus impactos ambientais. A rastreabilidade exigida pode exigir investimentos em tecnologia e mudanças nos sistemas de gestão agrícola.
A adaptação a esses critérios é fundamental para preservar o acesso ao mercado europeu, que constitui parcela significativa da receita de muitas empresas do setor. O impacto pode ser especialmente sentido em países que dependem das exportações de café para a Europa, estimulando práticas mais sustentáveis e maior controle ambiental.
Desdobramentos e Próximos Passos para o Setor Cafeeiro Global
O setor deve acompanhar a implementação do EUDR e preparar suas cadeias produtivas para as novas exigências. Organizações do setor, produtores e exportadores precisam investir em sistemas de rastreamento e certificação ambiental para atender aos critérios europeus.
Além disso, a tendência é que outras regiões e mercados adotem regras similares, ampliando o impacto do regulamento e incentivando a sustentabilidade global. Essa mudança pode fomentar a inovação e a competitividade das empresas que se anteciparem às exigências.
Entenda em 4 Pontos as Mudanças Trazidas Pelo EUDR para o Café
- O EUDR exige comprovação de origem para produtos comercializados na UE, ampliando a rastreabilidade.
- A União Europeia responde por cerca de 40% das importações globais de café, influenciando padrões mundiais.
- Grandes empresas podem unificar padrões ambientais para reduzir custos e facilitar conformidade.
- Produtores fora da UE precisam adaptar processos para manter acesso ao mercado europeu.
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Fonte: Comprerural




































