No meio do tomateiro carregado de frutos, uma joaninha correndo pelo pecíolo pode salvar a colheita — e o bolso. Os predadores naturais não são só “bonitos no papel”: joaninhas, crisopídeos e percevejos predadores podem reduzir pulgões e mosca-branca, cortar aplicações de inseticida e aumentar rendimento. Aqui está o que funciona de verdade, como soltar e conservar esses aliados, e onde você pode economizar sem virar refém de veneno.
Por que Joaninhas, Crisopídeos e Percevejos de Fato Protegem o Tomateiro
Esses três grupos atacam as pragas que mais estragam tomateiro: pulgões, mosca-branca, ácaros e ovos de lepidópteros. Uma joaninha adulta come até 50 pulgões por dia, crisopídeos atacam ninfas e ovos com eficiência, e percevejos predadores consomem lagartas pequenas e ovos escondidos. Em experimentos de campo, parcelas com liberação programada chegaram a reduzir até 70% das infestações sem inseticida — isso se o manejo for correto.
Quando e como Liberar: Calendário Prático para Não Desperdiçar Insetos
Timing é tudo. Liberar predadores numa lavoura já saturada de pragas é desperdício; liberar cedo, no início da emergência das pragas, faz diferença. Plano simples:
- Início da brotação: libere crisopídeos para controlar ovos e ninfas;
- Primeiros sinais de pulgão: joaninhas em pequenas ondas;
- Presença de lagartas jovens: percevejos predadores.
Regra prática: semanal no estabelecimento, quinzenal na manutenção, sempre em manhãs frescas e sem vento.

Como Preparar o Habitat: Atraia e Mantenha os Aliados no Tomateiro
Predadores precisam de alimento alternativo, água e abrigo. Plante faixas floridas (tagetes, ervilhaca, alfazema) e mantenha ervas daninhas controladas, não eliminadas totalmente. Instale refúgios como palha em faixas laterais e pequenas “ilhas” de vegetação para abrigo. Um tomateiro bem plantado é um ecossistema — e pequenos ajustes aumentam a taxa de permanência dos predadores, reduzindo necessidades de reaplicação e economizando dinheiro.
Erros Comuns que Custam Colheita (e como Evitá-los)
Evitar é lucrar. Lista de erros que vejo em campo:
- Aplicar inseticida broad‑spectrum após liberar predadores;
- Soltar muitos insetos de uma vez só sem alimentação suplementar;
- Ignorar plantas‑atração e solo nu entre linhas;
- Comprar predadores de procedência duvidosa.
O que evitar: não combine inseticidas não seletivos com controle biológico e sempre checar compatibilidade química antes de aplicar qualquer produto.
Manejo Integrado: Combinar Predadores com Menor Uso de Inseticidas
Controle biológico não significa “sem química”, mas sim uso inteligente. Adote produtos seletivos quando necessário, aplique em pontos críticos e respeite intervalos. Alternar táticas reduz resistência e preserva os predadores. Integre armadilhas cromotrópicas para monitorar mosca‑branca e use aplicações spot (pontos) em vez de pulverizar a área inteira. Isso reduz custos com defensivos e aumenta eficiência do controle natural.
Economia Real: Quanto Você Pode Economizar com um Manejo Bem Feito
Comparação surpreendente: em experimentos comparativos, produtores que integraram liberação de joaninhas e crisopídeos gastaram até 40% a menos em inseticidas e tiveram aumento de 10–15% na produtividade por fruto livre de danos. A expectativa comum é “um pouco de economia”; a realidade é que planejamento e pequenas mudanças de manejo geram retorno no mesmo ciclo. Investir em predadores pode pagar no primeiro mês se o monitoramento for rigoroso.
Mini‑história: Quando uma Joaninha Virou a Diferença
Em um sítio do interior, uma praga apareceu no início da floração: pulgões tomaram a ponta das plantas. O técnico sugeriu liberação de joaninhas em três dias consecutivos e plantio de uma faixa de flor para atrair mais insetos. Em duas semanas a infestação caiu drasticamente; a visita técnica seguinte mediu frutos com menos danos e mais mercado para tomate tipo salada. Pequena ação, impacto grande — e o produtor acabou reduzindo duas aplicações químicas programadas.
Recursos e Leituras Confiáveis para Aprofundar
Quer se aprofundar com base técnica? Veja recomendações:
- Embrapa — pesquisas e guias sobre controle biológico;
- FAO — orientações globais sobre manejo integrado de pragas.
Essas fontes têm protocolos, fichas técnicas e dados para planejar liberações, compatibilidade de pesticidas e exemplos de custo‑benefício.
Qual o Melhor Predador para Começar no Meu Tomateiro?
Comece por joaninhas se os pulgões forem o problema dominante; elas atuam rápido e são fáceis de manejar para iniciantes. Se houver ovos e ninfas de várias espécies, os crisopídeos cobrem bem esse espectro. Percevejos predadores são indicados quando há lagartas pequenas ou ovos de lepidópteros. Avalie o tipo de praga, o estágio da cultura e disponibilidade local de inimigos naturais; muitas vezes a combinação de dois grupos dá o melhor resultado em 4–6 semanas.
Como Calcular a Quantidade de Predadores a Liberar?
O cálculo depende da densidade de praga, estágio da planta e taxa de estabelecimento dos predadores. Uma regra prática: 1 a 2 adultos de joaninha por planta em infestação inicial; para crisopídeos, 5–10 por m² em surtos. Fornecedores sérios informam taxas recomendadas por espécie. Monitore antes e depois da liberação para ajustar: se a praga cair, reduza. O importante é começar com doses moderadas e ajustar conforme o resultado observado em campo.
Posso Usar Inseticidas Depois de Soltar Predadores?
Pode, mas com cuidado extremo. Use apenas produtos seletivos e teste compatibilidade; muitos inseticidas broad‑spectrum matam predadores e anulam o trabalho. A melhor prática é aplicar defensivos que tenham baixo impacto em predadores, em horários e locais que reduzam exposição, ou optar por controles mecânicos e biológicos. Consulte fichas técnicas e, quando possível, opte por tratamentos localizados e monitoramento intensivo para evitar aplicações desnecessárias.
Como Manter os Predadores na Área Após a Liberação?
Manter predadores requer habitat: faixas floridas, fontes de néctar, abrigos e redução do uso de pesticidas. Ofereça plantas atrativas nas bordas e mantenha cobertura de solo entre linhas. Evite limpeza extrema que deixa o campo “vazio”. Pequenos ajustes na estrutura da propriedade aumentam retenção e reprodução natural dos inimigos naturais, reduzindo a necessidade de novas liberações e custos com insumos.
Onde Comprar Predadores e como Garantir Qualidade?
Compre de fornecedores certificados e peça ficha técnica com origem, método de criação e taxa de sobrevivência. Evite ofertas muito baratas: podem vir com parasitoides indesejados ou em baixa viabilidade. Peça recomendações a cooperativas locais, extensionistas ou instituições como a Embrapa. Armazene e transporte conforme instruções do fornecedor para não comprometer a eficiência na hora da liberação.




































