Preços futuros do milho na B3 sobem com suporte externo e oferta mais restrita; Rio Grande do Sul registra avanço de 1,53% no preço médio semanal.
RIO DE JANEIRO — O mercado de milho iniciou setembro com valorização nos contratos futuros, influenciado por uma alta global do cereal e perspectivas de redução da safra nos Estados Unidos e na Europa. Os contratos para setembro e janeiro de 2027 fecharam em alta, enquanto o mercado físico segue com negociações seletivas e oferta mais contida em algumas regiões do país.
Segundo análise da TF Agroeconômica, a conjuntura internacional abriu espaço para o milho brasileiro, que tem sustentado os preços futuros na Bolsa de Valores (B3). Em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os preços físicos mostram ligeira firmeza, apesar da liquidez restrita e da seletividade dos produtores.
Contratos Futuros de Milho Sobem Até R$ 1,12 Na B3
Na terça-feira, o contrato de milho para setembro de 2026 fechou em R$ 72,18 por saca, com alta de R$ 1,12 no dia, o que representa uma valorização de aproximadamente 1,57%. O contrato de novembro/26 encerrou em R$ 78,43, avanço de R$ 0,83, e o de janeiro/27 atingiu R$ 81,79, com ganho de R$ 0,90.
No Rio Grande do Sul, o preço médio estadual do milho avançou 1,53% na semana, chegando a R$ 60,23 por saca. As cotações oscilam principalmente entre R$ 58 e R$ 65, com produtores mais seletivos e baixa liquidez no mercado físico.
Santa Catarina Mantém Preço Próximo de R$ 60 Por Saca
Em Santa Catarina, as referências de venda permanecem estáveis, próximas de R$ 60 por saca, enquanto a demanda se situa ao redor de R$ 55. O estado consome cerca de 8,5 milhões de toneladas por ano, mas produz apenas 2,67 milhões na safra 2025/26, o que reforça a dependência de milho de outras regiões e do Paraguai para suprir o mercado local.
A oferta restrita em alguns estados brasileiros, combinada com a alta dos preços no exterior, contribui para a sustentação das cotações internas e favorece a competitividade do milho brasileiro.

Negociações Pontuais no Paraná e Mato Grosso do Sul
No Paraná, as negociações seguem pontuais, com indicações de preços em torno de R$ 60 por saca e demanda próxima de R$ 55 CIF (custo, seguro e frete). O preço recebido pelo produtor alcançou R$ 56,79, alta de 7,8% em relação à média de julho e 11% superior ao registrado em agosto de 2025.
Já em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 50 e R$ 55 por saca. A indústria de bioenergia mantém demanda firme, auxiliando na absorção da oferta disponível. A colheita da segunda safra no estado já atingiu 88% da área plantada.
Contexto Global Pressiona Oferta e Preços do Milho
A alta global do milho está relacionada à expectativa de quebra nas safras dos Estados Unidos e da Europa, dois grandes produtores mundiais. Essa redução prevista na oferta mundial fortalece o mercado brasileiro, que pode aproveitar a oportunidade para ampliar sua presença no mercado internacional.
A valorização no exterior também influencia o ambiente interno, sustentando os preços futuros na B3 e incentivando produtores a manterem a oferta mais contida, o que impacta diretamente os valores praticados no mercado físico.

Impactos para Produtores e Consumidores no Brasil
Para os produtores brasileiros, a valorização nos contratos futuros representa uma chance de obter melhores retornos, apesar da seletividade nas vendas no mercado físico. Contudo, a alta dos preços pode pressionar consumidores industriais e o setor de bioenergia, que depende do milho como insumo.
O equilíbrio entre demanda interna e exportação será determinante para definir a dinâmica dos preços nos próximos meses, especialmente considerando a colheita parcial da segunda safra e o início do plantio da primeira safra 2026/27 em algumas regiões.
Perspectivas para o Mercado de Milho nos Próximos Meses
Com a colheita da segunda safra avançando em estados-chave, como Paraná e Mato Grosso do Sul, o mercado deve observar maior oferta física nos próximos meses. Porém, o cenário internacional e a conjuntura de oferta limitada no exterior podem manter os preços em patamares elevados.
A continuidade das negociações seletivas no mercado físico sinaliza que os produtores aguardam melhores condições para comercializar suas safras, enquanto os contratos futuros permanecem sensíveis às oscilações externas e às expectativas de safra.
Entenda em 5 Pontos
- Contratos futuros do milho na B3 valorizam até 1,57% em setembro.
- Preço médio do milho no Rio Grande do Sul sobe para R$ 60,23 por saca.
- Santa Catarina depende de milho de outras regiões e do Paraguai.
- Demanda da indústria de bioenergia mantém firmeza no Mato Grosso do Sul.
- Quebras nas safras dos EUA e Europa sustentam alta global do cereal.
Durante este período, produtores e compradores devem acompanhar de perto a evolução da safra nacional, bem como os indicadores internacionais, para ajustar suas estratégias comerciais.
Para mais informações sobre o mercado agrícola e oportunidades para produtores, vale conferir também artigos como a Safra de milho 2025/26 bate 58 milhões de toneladas e as análises sobre Pedidos de recuperação judicial no agronegócio, que refletem o contexto econômico do setor. Além disso, a rede de pesquisas que mostra aumento de produtividade pode ser uma referência para os agricultores que buscam eficiência no campo.
Fonte: Agrolink




































