Preço médio do bovino exportado chegou a US$ 1.516 em julho, maior valor da série histórica desde 1997.
BRASÍLIA — A exportação brasileira de gado vivo alcança patamar inédito em 2026, com crescimento de 30,3% no volume embarcado entre janeiro e julho, totalizando 743,7 mil cabeças. Apesar da redução de 22,7% no número de animais exportados em julho, o preço médio por cabeça bateu recorde, chegando a US$ 1.516,66, segundo levantamento da Scot Consultoria feito a partir de dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O aumento expressivo no valor do bovino exportado impulsiona a receita do setor, que nos primeiros sete meses do ano atingiu US$ 932,3 milhões, alta de 74% em relação ao mesmo período de 2025. Caso o ritmo atual se mantenha, o Brasil deve superar em 2026 o recorde anual de 1,26 milhão de cabeças exportadas, com faturamento que pode chegar a US$ 1,58 bilhão.
Volume de Bovinos Exportados Cresce 30% E Deve Superar 1,2 Milhão em 2026
Nos sete primeiros meses de 2026, o Brasil embarcou 743,7 mil cabeças de gado vivo, aumento de 30,3% sobre as 570,9 mil registradas no mesmo período do ano anterior. Trata-se do maior volume para o período desde o início da série histórica, em 1997. A projeção da Scot Consultoria indica que o total anual pode alcançar 1,26 milhão de animais, superando os 1,05 milhão exportados em 2025.
Em agosto, a movimentação também indica crescimento, com mais de 90 mil cabeças embarcadas nos primeiros dez dias úteis e expectativa de mais de 120 mil ao final do mês, o que colocaria agosto entre os melhores meses da série. A concentração dos embarques permanece no Pará, principal estado exportador, seguido por São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Preço Recorde Atinge US$ 1.516 Por Cabeça em Julho, 20% Acima do Melhor Mês Anterior
Apesar da queda no volume exportado em julho, para 67,6 mil cabeças, o preço médio do bovino vivo atingiu US$ 1.516,66, maior valor desde o início da série histórica. O preço superou em 20,1% o recorde anterior registrado antes de 2026, refletindo a alta demanda e valorização internacional do produto.
Esse aumento expressivo no preço explica porque a receita cresce muito mais que o volume embarcado. Em maio, a cotação média era de US$ 1.065,73, subindo para US$ 1.345,27 em junho e alcançando o pico em julho. O valor médio anual previsto para 2026 é de US$ 1.253,71 por cabeça.

Receita com Exportação de Gado Vivo Avança 74% E Deve Superar US$ 1,5 Bilhão
A valorização do preço do bovino vivo impulsiona o faturamento do setor. Nos primeiros sete meses de 2026, a receita somou US$ 932,3 milhões, alta de 74% em relação a igual período de 2025, quando o valor foi de US$ 535,9 milhões. Considerando o ritmo atual e a manutenção dos preços, a receita anual pode atingir cerca de US$ 1,58 bilhão, superando em 51% o resultado de 2025.
Mesmo em um cenário conservador, com preços retornando ao patamar médio do ano passado, a estimativa aponta faturamento próximo de US$ 1,45 bilhão, consolidando a exportação de gado vivo como importante fonte de receita para a pecuária brasileira.
Mercado Externo Concentra Demanda no Oriente Médio e Norte da África
A demanda internacional segue concentrada em poucos países, com Turquia e Marrocos respondendo por mais de 83% das exportações em julho. A Turquia recebeu 29,5 mil cabeças (43,6%), enquanto Marrocos comprou 27,2 mil (40,2%). Iraque, Líbano e Egito aparecem em seguida, reforçando a importância dos mercados do Oriente Médio e Norte da África para o escoamento do gado brasileiro.
Essa concentração geográfica contribui para a valorização do preço, já que a procura é firme e os compradores têm preferência por bovinos brasileiros, especialmente em regiões próximas aos principais portos de embarque.

Pará Lidera Exportação com Mais da Metade dos Embarques em Julho
O estado do Pará manteve a liderança na origem do gado exportado, respondendo por 54,6% das cabeças embarcadas em julho, totalizando 36,9 mil animais. A estrutura logística do estado, aliada à proximidade dos principais produtores com o Porto de Vila do Conde, facilita a operação e justifica a predominância.
Outros estados que se destacam na exportação são São Paulo, com 9,8 mil cabeças, seguido por Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que também contribuem para o crescimento do setor.
Alta Demanda Externa Pode Impactar Preços Internos e Oferta de Gado
A valorização do preço do gado vivo no mercado internacional exerce influência sobre a formação dos preços internos de reposição. A exportação funciona como canal de escoamento para certas categorias de bovinos, e a maior procura externa pode aumentar a disputa por animais no mercado doméstico.
Segundo especialistas, essa dinâmica reforça a relevância da exportação de gado vivo na composição dos preços no Brasil, especialmente em regiões próximas aos corredores logísticos de embarque. O cenário pode pressionar os custos da pecuária nacional, elevando a arroba do boi gordo e o valor do gado magro.
Projeções Indicam Continuidade do Crescimento Até o Fim de 2026
A análise da Scot Consultoria mostra que, se os últimos meses de 2026 repetirem o desempenho do ano anterior, o Brasil poderá superar a marca de 1,26 milhão de cabeças exportadas no ano. O faturamento também deve atingir novo patamar, impulsionado pela combinação de preços elevados e volumes crescentes.
Esse cenário representa uma mudança importante para a pecuária brasileira, que vê na exportação de gado vivo um componente estratégico para o escoamento da produção e para a valorização dos preços no mercado interno.
Entenda em 5 Pontos a Exportação de Gado Vivo em 2026
- Volume exportado entre janeiro e julho cresceu 30,3%, com 743,7 mil cabeças.
- Preço médio por cabeça atingiu recorde histórico em julho, US$ 1.516,66.
- Receita dos primeiros sete meses subiu 74%, chegando a US$ 932,3 milhões.
- Turquia e Marrocos respondem por mais de 80% da demanda externa.
- Projeção para 2026 aponta faturamento anual próximo de US$ 1,58 bilhão.
A movimentação do mercado de gado vivo reflete tendências globais e regionais, e deve ser acompanhada de perto por produtores e agentes do setor. Para entender mais sobre as dinâmicas do mercado pecuário e estratégias de gestão, confira conteúdos como o indicador do boi gordo que avança 10% em 12 meses e a análise de margem de contribuição por atividade. Além disso, saber como usar mapas de produtividade pode ajudar na otimização dos resultados em fazendas de gado.
O crescimento consistente da exportação de gado vivo também interfere na oferta e nos preços da arroba no mercado interno, tema explorado no artigo sobre o mercado de boi gordo em setembro, que acompanha as variações recentes do preço. Para produtores e investidores, acompanhar esses indicadores é fundamental para tomada de decisão estratégica e rentabilidade no setor.
Fonte: Comprerural




































