Embrapa Lança Duas Uvas Após Mais De Dez Anos De Avaliações Na Serra Gaúcha

Embrapa Lança Duas Uvas Após Mais De Dez Anos De Avaliações Na Serra Gaúcha
Pesquisadores examinam cachos de uva na vinha

A Embrapa Uva e Vinho anunciou nesta terça-feira o lançamento das cultivares BRS Lis e BRS Antonella, em Bento Gonçalves (RS). O evento ocorreu na sede da unidade, com dias de campo programados de 10 a 12 de fevereiro de 2026.

As duas variedades tintureiras foram desenvolvidas no programa Uvas do Brasil e avaliadas por mais de dez anos em ensaios e validações com cooperativas e produtores. Segundo a Embrapa, a combinação das cultivares amplia produtividade, reduz riscos fitossanitários e melhora a qualidade de sucos e vinhos de mesa.

Clima Agropec Futuro

BRS Lis Colhe Na Primeira Quinzena De Fevereiro E Apresenta Tolerância Ao Míldio

A BRS Lis é descrita pela Embrapa como de ciclo intermediário, com colheita prevista para a primeira quinzena de fevereiro. A cultivar destaca-se pela tolerância ao míldio e às podridões de cacho, problemas que historicamente reduzem rendimento e qualidade na Serra Gaúcha.

Além da sanidade, a BRS Lis oferece cachos mais soltos, o que diminui a incidência de doenças e favorece a sustentabilidade do cultivo. Seu mosto apresenta acidez equilibrada, intensa coloração e elevado teor de açúcares, características valorizadas pela indústria de processamento.

Pesquisadores apontam que essa combinação de sanidade e qualidade técnica reduz a necessidade de tratamentos fitossanitários e aumenta a estabilidade produtiva ao longo das safras. O resultado é menor custo operacional e menos risco de perdas em períodos chuvosos.

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BRS Antonella Entrega Alto Potencial Produtivo E Rendimento Para Cortes Industriais

A BRS Antonella apresenta produtividade equivalente ou superior às cultivares tradicionais mais plantadas na região, segundo testes da Embrapa. A variedade é indicada para aportar volume de produção e intensificar a cor em sucos e vinhos.

Com ciclo intermediário, a Antonella se adapta aos sistemas produtivos da Serra Gaúcha, facilitando a integração em vinhedos existentes. Sua elevada produção torna a cultivar atraente para cooperativas e indústrias que demandam regularidade e escala.

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A Embrapa ressalta que a Antonella é especialmente útil em cortes industriais, pois eleva o padrão visual e a uniformidade dos produtos finais. Em combinação com cultivares de melhor qualidade tecnológica, a Antonella melhora tanto rendimento quanto aparência dos sucos.

Combinação Das Cultivares Amplia Eficiência Produtiva E Reduz Dependência De Variedades Tradicionais

Combinação Das Cultivares Amplia Eficiência Produtiva E Reduz Dependência De Variedades Tradicionais

Juntas, BRS Lis e BRS Antonella permitem ajustes finos nos cortes industriais, combinando qualidade e volume para atender a diferentes demandas. A Lis aporta intensidade de cor e sanidade, enquanto a Antonella contribui com rendimento e regularidade.

Essa estratégia diminui a dependência de cultivares americanas e híbridas como Isabel, Bordô e Concord, muito usadas no país. A troca parcial por variedades nacionais desenvolvidas para o clima brasileiro pode reduzir perdas e melhorar o processamento.

Produtores e cooperativas que validaram as cultivares ressaltam que o mix permite escalonamento de colheita e maior previsibilidade de fornecimento. Isso pode favorecer contratos industriais e reduzir custos logísticos e de estocagem.

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Compostos Fenólicos E Antocianinas São Superiores Em Relação a Isabel E Concord

Estudos da Embrapa mostram que BRS Lis e BRS Antonella têm teores elevados de polifenóis totais e antocianinas em comparação com Isabel e Concord. Esses compostos influenciam diretamente a cor, a estrutura sensorial e o potencial antioxidante de sucos e vinhos.

Nos ensaios, os índices de polifenóis totais (IPT) do mosto da BRS Lis foram equivalentes ou superiores aos da cultivar Bordô e significativamente maiores do que Isabel e Concord. A Antonella também apresentou antocianinas elevadas, reforçando a coloração nos cortes.

Maior concentração de polifenóis contribui para estabilidade de cor e resistência à oxidação, apontam enólogos envolvidos nos testes. Para a indústria, isso representa produtos com melhor aparência, maior vida útil e potencial de agregação de valor.

Validações Em Campo Envolveram Cooperativas E Produtores Em Cinco Municípios Do RS

Validações Em Campo Envolveram Cooperativas E Produtores Em Cinco Municípios Do RS

A validação das cultivares foi conduzida por cooperativas Aurora, São João e Agroindustrial Paraíso em Bento Gonçalves, Pinto Bandeira, São Valentim do Sul, Farroupilha e Dois Lajeados. O processo incluiu testes em condições reais de produção ao longo de diversas safras.

Produtores que participaram da validação acompanharam desde o plantio até a vinificação, fornecendo feedback técnico e industrial. Esse modelo assegura que as cultivares se ajustem aos microclimas locais e às práticas adotadas pelos viticultores.

O presidente da Cooperativa Vinícola Aurora destacou o interesse em cultivares que entreguem produtividade e cor, fatores cruciais para a competitividade. Validadores locais já planejam substituições parciais de áreas cultivadas com Isabel por BRS Lis e Antonella.

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Enologia: Sucos E Vinhos Apresentam Acidez Equilibrada, Estrutura E Sabor Sem Adição De Açúcar

Testes de vinificação conduzidos por Mauro Zanus indicaram que sucos e vinhos de BRS Lis exibem acidez equilibrada, intensa cor e boa estrutura de taninos. O teor de açúcar natural das uvas permite vinificações sem adição de sacarose externa.

A BRS Antonella, por sua vez, elevou rendimento e coloração nos cortes industriais testados, além de conferir aroma característico de uvas americanas. As avaliações sensoriais apontaram paladares balanceados e boa estrutura, com potencial de aceitação no mercado.

Para os enólogos, a combinação das duas cultivares permite composições com melhor padrão visual e sensorial, reduzindo intervenções industriais e simplificando processos de produção. Isso pode diminuir custos e agregar valor ao produto final.

Impacto Econômico: Redução De Custos E Aumento Da Rentabilidade Por Área

Segundo a Embrapa, o uso combinado das novas cultivares pode reduzir custos de produção, por conta da menor suscetibilidade a doenças e maior previsibilidade de rendimento. Pesquisadores de socioeconomia calculam ganhos na rentabilidade por área.

Produtores que validaram as cultivares já planejam a substituição parcial de áreas com variedades tradicionais, visando ganhos de produtividade e qualidade. A adoção tende a fortalecer a cadeia de processamento regional e a autonomia tecnológica do setor.

Ao ampliar o portfólio nacional de cultivares voltadas ao processamento, a Embrapa espera reduzir vulnerabilidades do setor e criar novas possibilidades de manejo e comercialização. A expectativa é que a oferta de uvas com maior padrão tecnológico eleve o valor agregado de sucos e vinhos brasileiros.

Fonte: Embrapa.br